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Quais são seus limites? Sua negociação vai bem?

Pelo que vejo, um relacionamento vai bem, muito bem, até não ir mais.

Quando começa a ficar ruim, parece uma queda livre, vai das nuvens ao chão e de repente tudo fica péssimo e insuportável.

Veja se aconteceu com você ou com alguém que você conhece.

Ele ou ela descobre o BDSM.

“Oh meu Deus, que delícia, que tesão, é tudo o que sempre quis.”

Pouco tempo depois… (normalmente algumas horas, ou dias assistindo meus vídeos 😉

Encontra-se um sub, uma sub, um Dom, uma Domme, ou mesmo alguém que não use os “títulos” mas que esteja aí pra jogar.

A coisa funciona.

As sessões começam a acontecer, o desejo floresce e esquenta corações e bundas.

“Ah, o tesão, que coisa maravilhosa”.

A relação segue mais um pouco e as pessoas envolvidas se veem passando mais tempo juntas, o que eram encontros esporádicos, as vezes mensais, tornam-se quinzenais, as vezes até semanais. O relacionamento flui, mas com uma frequência maior de encontros, você consegue perceber coisas, a outra pessoa também.

Aquelas coisas começam a incomodar e a pesar negativamente, o desejo de ver a outra pessoa diminui e a gente sente que ir pra sessão ou encontro se tornou uma obrigação, sem prazer. O desejo era de voltar como as coisas eram, aquele tesão, aquele fogo todo, só que principalmente voltar a ter os encontros mensais ou até mesmo quinzenais, deixando um tempo livre pra gente mesmo.

Se você for como eu sou, você assume a responsabilidade pelo relacionamento ir mal, mesmo que a responsabilidade não seja sua, mas entenda, as vezes a responsabilidade é nossa, as vezes é da outra pessoa, ou ainda só dá errado mesmo por fatores que não temos controle.

Quando eu entro nesse loop de “por que a relação deu errado?” eu tenho a tendência de tentar pensar em tudo, é absurdo pois chego a pensar até em detalhes insignificantes…

“Será que foi porque eu deixei um papel de bala no lixinho do carro?”

Tem uns anos que não entro tão fundo, até porque aprendi o que realmente importa…

Sabe o que realmente importa e que faz com que o relacionamento imploda ou tenha sucesso?

Limites.

“Ah Ares, mas eu negociei as práticas”.

Os limites os quais eu falo não são sobre práticas, na verdade as práticas se tornam secundárias e até mesmo possibilidades de abuso, se você não colocar os seus limites.

Não tem a ver com escatologia. (Escatologia é um limite que pega a maioria dos praticantes).

Tem a ver com os limites da relação entre duas pessoas, não entre o Dom, ou a Domme, e o sub, ou a sub. Tem a ver com o que você quer e o que você não quer. O que te faz bem e o que te machuca na relação.

O seu “nome fantasia”, ou seja, seu apelido de sub ou de Dom colocam limites dentro dos jogos eróticos envolvendo BDSM, Tantra, ou qualquer outra forma que gostem de jogar.

Já a sua “pessoa física”, ou seja, que é a pessoa por trás do “nome fantasia”, que trabalha, que lida com pessoa no dia a dia, que paga boletos, estabelece os limites da relação.

Os limites variam de pessoa pra pessoa, de relação pra relação, mas eu vou te dar uma direção dos mais comuns pra você conseguir pensar sobre eles e como eles te afetam.

Quanto do BDSM vai entrar na sala vida cotidiana?

Sem dúvida o primeiro e um dos mais importantes tem a ver com isso. Até onde existe o “Nome Fantasia” até onde existe a “Pessoa Física”.

Sempre que começo um relacionamento, começo com os dois pés atrás. Esse receio todo vêm de algo que talvez você não esteja ciente, mas quando começamos uma relação com alguém, nós temos a tendência a deixar um pouco de lado quem somos pra investir tempo e energia e criar a nova pessoa que seremos dentro do relacionamento.

Um exemplo, a pessoa solteira que sai e pega todo mundo, em alguns relacionamentos, não cabe. Então você deixa de ser a pessoa solteira e se torna uma pessoa com algum compromisso.

Você provavelmente pensa: Eu estou aprendendo a me submeter, portanto preciso deixar as coisas acontecerem e dar espaço pro Dominador ou a Dominadora me Dominar. Isso é OK, só que você precisa limitar esse espaço, não é ilimitado.

Dá pra fazer por tempo, que eu particularmente gosto, ou seja, durante X minutos, Y horas ou um tempo determinado eu vou ser o seu sub, ou o seu Dom, fora isso eu vou ser a pessoa física.

Uma outra forma é fazer por “esfera”. A nossa vida tem diversas esferas, a familiar, a dos amigos a do trabalho, a dos filhos, a do grupo de jogos, a do BDSM, a da igreja, etc. etc. Cada pessoa tem as suas e as pessoas com quem se relaciona dentro de cada esfera, é quase uma máscara pra cada área da vida. Quando coloco os meus limites assim, normalmente eu coloco com sendo “disponível pra jogo” na esfera do BDSM, ou seja, durante um evento BDSM, ou uma sessão, um encontro ou um jogo, eu estou disponível com meus limites mais flexíveis de como me comportar e do que fazer. (Isso aqui não tem funcionado pra mim porque trabalho com BDSM, então se jogo com uma Domme e ela vai há um dos meus eventos, fica difícil servir e ainda trabalhar no evento. Inclusive já aconteceu, por isso eu prefiro limitar o jogo pelo tempo separado pra aquilo, consigo dar atenção total).

Então pensa nisso, se der a senha do Facebook, ou do Instagram pra um dominador, quem são as pessoas que ele vai ter acesso e principalmente, por que ele precisaria ter esse acesso?

Parece simples, mas eu já vi muita gente passando senha, se pedirem, saiba pedirem acontece com frequência, já dar a senha é outra história que eu recomendo não dar.

Um outro limite que você precisa prestar atenção tanto pra você quanto as pessoas que você conversa, tem a ver com até onde pode ir.

Qual ou quais liberdades você dá?

Se no primeiro você controla quanto a sua relação vai entrar na sua vida baunilha, nesse você controla quem.

“Ah, te vi numa festa BDSM e achei seu perfil”

Ok e como posso te ajudar?

“É que eu te achei bonito(a) e queria conversar”.

Por que você não falou comigo durante a festa? Por que seu perfil não tem foto?

“Não me sinto seguro de expor meu rosto em redes sociais”. “Não falei com você na festa porque minha vó estava grávida” (leia aqui qualquer desculpa esfarrapada).

Ok, não tenho interesse.

“Mas você não quer nem conversar comigo? Se conhecer melhor?”

Não tenho interesse.

“Mas eu te vi e te achei lindo(a), eu sou sub, ou Dom, e a gente pode ter muito prazer”.

Não tenho interesse, eu vou te remover desse perfil, passar bem. #PratiqueOBloqueio

Não é porque vocês estiveram presentes no mesmo espaço, não é porque estiveram na mesma festa, ou porque estão no mesmo grupo que você precisa dar liberdade as pessoas, não é porque você é sub e ele Dom, ou você Domme e ele sub, ninguém pode tirar sua paz. Isso tem a ver com limites. Eu acho educado ouvir/ler e dar uma resposta “mais educativa”, mas é extremamente opcional e depende do dia também, tem gente que nem isso merece.

Existem duas grandes “encheções de saco” de BDSM uma é de pessoas que não entendem que esferas da sua vida podem entrar, outra é de pessoas que não entendem que BDSM é íntimo, é sexualidade e é um tabu que você aprende a conversar ou não conversa.

Por último, mas não menos importante.

Você se imagina com a pessoa com quem você está no longo prazo?

Tem a ver com direção também. Qual seu momento de vida? O que você quer daqui 5 anos? A pessoa com quem você está hoje serve pra esse “eu” futuro?

Eu já me relacionei com pessoas que eram ótimas playpartners, a gente brincava muito e tínhamos diversos jogos com BDSM, mas a química não casava bem pra um relacionamento afetivo baunilha. Tinha amizade, confiança, cumplicidade e diversas coisas boas, mas não funcionava pra um relacionamento de afetivo.

Se você gosta de alguém pra jogar, mas não quer um relacionamento, você precisa colocar seu limite. Se você não coloca o limite e deixa a pessoa criar expectativas, você está agindo errado. Quanto mais consciência você tem do que você quer, e pra onde vai, mais responsabilidade tem que ter.

Funciona assim: Você está praticando BDSM, ai conhece alguém legal, não quer um relacionamento mas não fala nada, a pessoa te pressiona, você dá uma resposta negativa, mas até aquele momento a pessoa criou expectativas pelo que você não falou e quando der ruim, ela fica puta com você e te xinga, te queima, fala mal, com razão.

Se você, desde o início deixou claro o que queria e o que não queria não há nada a ser cobrado, não há nada a ser discutido.

“Desde o início você sabia o que eu queria e como, não estou entendendo essa cobrança”.

Acredito que esses 3 limites podem te poupar muita encheção de saco.

Funcionam pra mim.

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1 comentário em “Quais são seus limites? Sua negociação vai bem?”

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