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Vamos falar sobre os riscos das técnicas e a sua primeira experiência Tântrica!

  • Ares 

Você sabe REALMENTE como o Tantra te transforma?

Você sabe REALMENTE como o BDSM te transforma?

Por que você acha que sabe como os dois transformam juntos?

Eu aposto que você já ouviu falar de Tantra, mais precisamente sobre massagem tântrica. Aposto que por ter visto as pessoas correndo os dedos sobre a pele de outras pessoas, você acredita até que sabe fazer.

A gente é assim não tem jeito. Nós olhamos algo e tentamos associar com alguma coisa que conhecemos pra diminuir a dor de não saber.

Dói quando alguém sabe algo que não sei, ou mesmo faz algo que não consigo fazer, é como se eu fosse forçado a olhar minha própria incompetência.

Eu sempre quis aprender a tocar guitarra, vez ou outra eu pego a guitarra e treino. Imagino que deva ser divertido poder me expressar através da música, mas nem isso sei. Quando eu vejo um guitarrista muito melhor do que eu, como o Angus Young ou Malcolm Young, que são os caras do AC/DC, há um abismo de diferença entre técnica e experiência. Eu simplesmente não consigo me comparar, não consigo nem entender o quão difícil é tocar algumas músicas, imagina criar essas músicas.

Às vezes eu pego uma música do AC/DC e tem um Riff de power acorde super fácil, quando eu faço aquele Riff e sai um som parecido com a música, eu sinto que aqueles dois guitarristas são mais próximos de mim e que talvez o abismo não seja tão grande, as vezes até superável. Quando isso acontece eu vejo o meu ego falando.

O ego me diz: “Tá vendo cara!? Eles nem são tão bons! Você consegue se se esforçar!”.

Ai o que acontece? Eu me esforço, por dias, semanas, meses e não chego perto. Em algum momento eu decido que guitarra não é pra mim, que quem toca guitarra é jacú, ou mesmo que guitarra é coisa de pessoa desocupada.

Eu perdi em algum momento o meu objetivo, que era me divertir com guitarra, me expressar através da música, perdi meus ídolos (os irmãos Young) e pior, extremamente pior, eu comecei a desvalorizar o trabalho desses irmãos.

Esse é apenas um exemplo. Há vários outros.

Tantra e BDSM tem essa mesma armadilha e ainda pode te fuder muito mais. No mau sentido.

Provavelmente você viu meu vídeo ontem em uma sessão que mistura Tantra e BDSM. Se você for “espertinho” você deve ter pensado: “É praticamente do mesmo jeito que faço minhas sessões, a diferença é que não tenho tantos acessórios, mas me viro bem.”

Nesse momento você está com seu ego tomando o controle e dizendo: “Tá vendo cara!? Ele nem é tão bom! Você consegue fazer igual!”

Se você foi essa pessoa espertinha que pensou nisso, parabéns, você entendeu certinho a proposta daquele vídeo e eu te levei pro ponto exato que eu queria. O ponto em que você vai se sentir tão confortável de tentar que vai fazer e vai dar errado.

A palavra Tantra significa literalmente técnica. Osho acrescenta, Tantra é uma técnica para transformação. Nada mais, nada menos. Não é religião, é só uma técnica.

A massagem tântrica é uma forma de você trabalhar essa técnica para transformação através do toque e de manipular a energia de outra pessoa ou manipularem a sua.

Perceba o seguinte no vídeo eu não falei pra você “Massagem Tântrica + BDSM”, no vídeo eu falei pra você “Tantra + BDSM”.

Por que? Porque tem uma diferença crucial nisso tudo.

A massagem tântrica você consegue aprender com um final de semana de curso, sexta, sábado e Domingo. A massagem tântrica é uma das formas de se alcançar a transformação que o tantra propõe, mas não existe só essa forma.

A massagem tântrica através da sensitive, que você viu naquele vídeo, é a pontinha do iceberg. Que provavelmente você acha que consegue fazer.

Além daquilo, no curso de 3 dias, que é o mais básico, você aprende êxtase total, aprende algumas meditações, respiração circular e mais algumas coisas conforme a pessoa que ministra o curso, que facilita o seu aprendizado.

Eu fiz o curso pelo menos 6 vezes com o meu professor Gilson Nakamura e em cada curso eu aprendi coisas novas como se todo o meu universo tivesse se transformado.

Mas você viu meu vídeo e acha que sabe.

Quando você recebe a massagem tântrica, na maioria das vezes, existe um momento chamado catarse que é o momento alto da coisa, o ápice da experiência, em que as suas sensações são tão fortes que você se sente parte desse mundo meio doido que vivemos. A primeira experiência com massagem tântrica, normalmente faz cair uma das primeiras mascaras, que é a de que estamos bem.

Você abre a sua energia, ela circula pelo seu corpo e faz com que você sinta suas feridas.

A primeira massagem que recebi, eu senti inveja.

Eu senti uma inveja ABSURDA, fora do comum.

Eu fui com a Nanda, ela insistiu, me convidou, disse que pagaria. Eu recebi a massagem dela a primeira vez, não senti nada. Na verdade eu senti, senti uma sensação esquisita, péssima.

Durante a massagem, o Gilson, falava pra fazer as manobras, orientava, demonstrava os movimentos com as mãos e os alunos repetiam, cada um no seu jeito, da sua forma. Todos iniciantes, dando o seu melhor. Mesmo assim, eu não senti nada.

“POR QUE EU, SENDO EU, NÃO SENTI NADA ENQUANTO OUTRAS PESSOAS TIVERAM EXPERIENCIAS INCRIVEIS?”

De quem era a culpa a culpa por eu não ter sentido nada?

Da Nanda, claro, a sub. (Ela era realmente minha sub).

A culpa era dela, ela aplicou a técnica errado, ela não segurou o pênis direito, eu não tive ereção, a culpa era dela! Toda DELA!

Eu senti inveja das outras pessoas, e joguei a culpa toda pra cima da minha sub, que havia me convidado, pago o curso e estava dando o seu melhor, era iniciante como eu e estava dando o seu melhor pra tentar me dar prazer com a massagem tântrica.

Eu tinha uma ferida, eu me sentia desvalorizado pelas pessoas, isso me fazia sentir inveja e me ressentir delas.

Nessa primeira massagem, eu tive uma das piores experiências da minha vida.

Ah, isso foi só o primeiro dia.

Eu não queria voltar o dia seguinte, mas eu voltei. Voltei e tive algumas das melhores experiências da minha vida, inclusive tomei conhecimento de muitas outras coisas.

Depois da massagem tântrica, de anos de massagem tântrica, eu me voltei pro Tantra, com o meu professor e com livros do Osho. A massagem tântrica abriu as portas, a minha decisão de voltar no dia seguinte e lidar com o sentimento ruim, marcou um novo caminho.

Tive diversas experiências péssimas com Tantra, inclusive uma experiência de quase morte em uma meditação, um dia eu conto.

Por que eu tive experiências péssimas com Tantra? Por que é isso que o Tantra faz.

Se você acha que está tudo bem, o Tantra te sacode, te coloca em contato com as suas feridas, te faz sentir cada uma delas, uma por vez.

O Tantra te faz sentir.

A transformação do Tantra é: Sinta suas feridas, lide com elas e você vai aprender a sentir emoções positivas.

Deixa eu te dar um exemplo.

Imagine que você sinta raiva. Raiva dos seus pais por questões grandes e pequenas. Raiva do cara que te fechou no transito, que você nem conhece. Raiva dos correios em greve de novo. Raiva do Corona vírus que atrapalhou os shows, bares e tudo mais. Raiva.

Você provavelmente foi criado, ou criada, ouvindo que sentir raiva é ruim, então toda vez que você sente raiva, você diz pra si mesmo(a) que é errado e se esforça pra pensar em outra coisa, pra não sentir. Ou você desconta essa raiva na mesa, na sub, no sub, no cachorro, no transito, no trabalho, nos funcionários, nos filhos, etc.

O que você está fazendo é pegando algo que você não quer lidar e congelando, ou passando pra frente de forma tóxica.

Quando você congela a raiva, você congela também a sensação de desconforto, que congela a ideia de aventura, que congela a ideia de alegria, que congela a curiosidade, que congela o amor e por aí vai. Cada pessoa essa cadeia funciona de um jeito, mas quando você “congela” um sentimento, seja mínimo como uma sensação de desconforto, você se torna uma pessoa que congela sentimentos bons e ruins.

Quando você passa pra frente sua raiva de forma tóxica, você se isola.

De toda forma, tudo começa por algo que você não quer lidar. No meu caso, eu descarreguei na Nanda, que queria o meu melhor, porque eu tinha uma sensação de não ser valorizado o suficiente que vinha de outros lugares, isso levou a inveja e bem, você entendeu.

O Tantra te pega, te sacode e te faz olhar. A Técnica é tão poderosa, porque ela vai no seu ritmo, do seu jeito, as vezes algumas coisas são extremamente intensas e transformadoras, como se te virassem do avesso, as vezes são experiências que te fazem olhar pra um detalhe que faz uma puta diferença, mas que é um detalhe pequeno.

Quando você viu aquele vídeo, você sentiu inveja? Você tentou desmerecer? Você sentiu que eu era um charlatão? Você sentiu desejo de experimentar? Sentiu que mudou a sua vida?

Naquele vídeo, naquela Live, eu acabei de te dar a sua primeira experiência tântrica, que só vai te transformar se você NÃO IGNORAR O QUE VOCE SENTIU!

Eu descasquei alguma ferida sua, com certeza. Você vai lidar com ela ou você vai se forçar a pensar em outra coisa?

É por isso que durante a Live eu falei: Se você não sair daqui com uma decisão tomada de se juntar a mim ou de se afastar completamente de mim, você vai sofrer.

Entende como o Tantra é poderoso e pode mudar a sua vida?

A outra técnica que pode transformar a sua vida, é o BDSM.

O texto está ficando longo, e está tudo bem se você quiser parar agora, a nossa conversa é consensual e você sempre pode sair a qualquer momento.

Quando você teve o primeiro contato com praticantes de BDSM, o que você sentiu?

Talvez a sua resposta seja diferente da minha, mas no meu caso, eu senti que os praticantes comiam sardinha e arrotavam caviar.

No meu início, lá atrás, naquela época, eu via a maioria das pessoas como pessoas de meia idade, eu tinha 19 anos, então todos tinham cara de tiozão, que tentavam se mostrar melhores do que eram.

Era interessante observar. Se um falava “eu tenho esse flogger de juta”, o outro falava “eu tenho esse flogger de couro cru”, brotava um outro e falava “eu tenho esse flogger de couro camurça”, mais um ainda e falava “eu tenho esse flogger de couro de búfala”.

Era tão absurdo que me lembra muito um vídeo do Karnal, de que o que é nosso é sempre mais importante, mesmo nossas mazelas são sempre maiores. Em um diálogo ele dizia: um fala “eu tenho gripe” o outro retruca “eu tenho câncer”.

A briga de egos era tão intensa que chegava a dar nojo.

Hoje eu vejo que mudou um pouco, a briga de egos ainda permeia, mas parece que as pessoas estão “piores”.

Certa vez, eu conversei com uma dominadora que apresentou um amigo ao BDSM. Ela queria que eu ajudasse esse amigo, pois ele estava perdido, segundo ela. Ele havia mudado, era uma pessoa sensata e tranquila, agora estava muito cabeça dura e ignorante.

Você já viu pessoas cabeça dura e ignorantes no BDSM? Rs

É uma pergunta retórica, eu tenho certeza que sim.

Esse amigo dela é igual a inúmeros amigos que temos e que conhecem o BDSM.

Existem pessoas que são insuportáveis, pessoas ruins, normalmente isoladas e com dificuldades de manter relações amigáveis e saudáveis. Essa pessoa vive uma vida solitária fora do BDSM e quando vêm pro meio adota uma fala de “eu sou uma pessoa assertiva e falo com sinceridade.”

Já teve um caso de uma pessoa que conheci, que não gostava de fazer nada. Se pudesse, ela ficava o dia todo na cama. Quando ela veio pro BDSM ela começou a sua busca “procuro um sub doméstico”.

Havia uma que não gostava de trabalhar, ela vivia sendo sustentada pelos pais e tinha sua vida toda baseada no fluxo financeiro que vinha dos pais. Quando ela se “firmou” como dominante, começou sua busca por escravos financeiros.

Havia um Dom, que queria usar mulheres pro seu prazer, sem dar nada em troca, ele sempre dizia “o objetivo de se submeter é dar prazer ao Dom”.

Havia uma Domme que havia sido abandonada pelo marido, enquanto ela fazia escolhas pelo bem do casal, recusando inclusive promoções com salários exorbitantes, o marido aceitava qualquer oportunidade que julgasse boa, sem ligar pro casamento.

Havia um Dom que sentia que sempre fora rejeitado e excluído, ele veio pro BDSM e começou a fazer da preservação da liturgia BDSM a sua luta. Ele sentia que quando defendia o BDSM de verdade, ele criava e defendia uma comunidade e se tornava importante nessa comunidade.

Eu poderia ficar aqui durante horas mostrando os exemplos, mas continuemos.

São diversos os casos, pessoas que tem feridas emocionais, não tratadas e que buscam compensação.

Como que a técnica BDSM mexe com isso?

O BDSM expõe seu pior lado. Só que o BDSM é manco, porque ele expõe seu pior lado de uma vez e te deixa confortável.

“Eu bati e machuquei um sub porque eu sou sádico, a culpa é do sub que não sabe o que é sádico.”

O BDSM faz aparecer os seus piores defeitos e os incorpora a uma identidade.

“Eu sou sub, como sub meu Dom tem que tomar todas as decisões por mim.” Pra mim isso quer dizer “eu não quero assumir a responsabilidade pelo que dá errado, portanto eu vou arrumar alguém pra tomar as decisões e a culpa vai ser dessa pessoa.”

“Ele me tratou mal”, “ele agiu errado comigo”, “ele abusou de mim”, etc. Existem situações que não podem ser evitadas e casos de abuso devem ser tratados criminalmente, mas há certas situações que você não precisa passar, será que não é você que está usando a ideia de BDSM pra ficar confortável de se eximir de culpa?

O BDSM faz aparecer o seu pior lado.

O empoderamento que ele traz é de conhecer esse “pior lado”.

Aí tem a pergunta. Você está empoderado com seu terno, você está empoderada com seus saltos altos, você está empoderado conhecendo os seus fetiches sujos, você está empoderada com sua coleira nova, você esta empoderada com suas fotos preto e branco, mas e daí?

Todas essas questões te tornam mais felizes ou por te deixarem confortável com seu pior lado te afastam das pessoas?

Uma pessoa insuportável fora do meio BDSM continua sendo uma pessoa insuportável dentro do BDSM, mesmo que mude de roupa.

A parte do BDSM do vídeo de ontem, provavelmente te trouxe uma sensação de que é fácil, e foi proposital. De que como Dominante é só passar os dedos enquanto pinga vela, de que como sub é só relaxar nas mãos de alguém que você confia. Isso foi proposital.

Existem mais de 87 aulas dentro do curso de Tantra e BDSM, você viu a pontinha do iceberg em uma sessão e mesmo assim nem foi a sessão completa.

Sabe por que?

O meu objetivo não é te transformar da noite pro dia.

O meu objetivo é te mostrar que está tão perto de você, tão palpável, você quase consegue sentir as velas no seu corpo, ou o peso e o calor da vela na sua mão e mesmo assim, não vai conseguir chegar perto do tesão e do conforto que sentiu assistindo.

A mudança que eu preciso que você tenha, pra poder me ajudar na minha missão, vai muito mais além do que achar que entendeu a coisa toda, vendo menos de 1% dela.

Somente quando você internalizar as transformações do Tantra, junto com as Transformações do BDSM e aprender a lidar com a pessoa nova que você vai se tornar, você vai ter momentos de extrema felicidade, satisfação e realização.

Mas a escolha é sua, sempre consensual.

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